DROGAS

O gás do riso e da morte
Wagner Oliveira
Recife, domingo, 22 de maio de 2011
Óxido nitroso, que tem efeito anestésico, está sendo usado como um alucinógeno por jovens recifenses de classe média alta
Os jovens de classe média alta do Grande Recife descobriram uma substância diferente que produz efeitos alucinógenos. A novidade passou a ser encontrada em raves (maratonas de músicas eletrônicas), boates e festas particulares mascarada em inofensivos balões de festa. O gás do riso ou hilariante já é comum em vários países da Europa. Trata-se de uma substância usada como anestésico em procedimentos cirúrgicos ou em consultórios odontológicos. Após inalado, o óxido nitroso (N2O) age numa área do cérebro relacionada aos sentimentos e provoca uma sensação de bem-estar seguida de gargalhadas. A alegria efêmera causada pela inalação esconde o risco de morte, segundo especialistas. De acordo com os usuários, o efeito alucinógeno aumenta quando o óxido é consumido junto com drogas como ecstasy e LSD.

“Conheci o gás do riso numa rave aqui no Recife quando um amigo me ofereceu. Antes, eu já tinha visto um pessoal com uma garrafa de chantilly e umas bolas de festa em Pipa (praia do Rio Grande do Norte), mas não sabia que aquilo dava barato”, revelou um empresário de 29 anos, que descobriu o produto há cerca de três meses. O uso da substância ainda é desconhecido pela polícia pernambucana. Na verdade, ela não pode ser considerada uma droga ilícita porque seu uso é regulamentado especificamente para a área médica.

O perigoso gás não é difícil de ser encontrado no mercado. Como é usado na fabricação de creme de chantilly (para dar pressão), pode ser adquirido em cápsulas comercializadas em casas de produtos para lanchonetes. Mas também pode ser encomendado em sites na internet, que oferecem um kit com os cilindros e disparador (equipamento usado para quebrar a cápsula e liberar o gás). O kit com três cápsulas custa R$ 60, o mais barato. O óxido nitroso também é usado em motores de automóveis para aumentar a potência. Para esse caso, recebe o nome de nitro.

 A garrafa usada para fazer chantilly também é utilizada para armazenar o gás após as cápsulas serem estouradas. No mercado custa cerca de R$ 400. Em função do alto custo, muitos usuários estão recorrendo a adaptadores para retirar o gás da cápsula. Depois dessa etapa é que os balões de festa entram em cena. “Nós colocamos uma bola no bico da garrafa ou no disparador para que o ar do gás encha o balão. Depois disso, é só inalar o ar e soprá-lo novamente para a bola. Em pouco tempo, a gente já começa a sentir as alterações no corpo. Você se sente meio dormente e fica com o ar de riso”, ressaltou o empresário, que usa a substância, mesmo sabendo dos riscos.

Segundo o presidente da Sociedade de Anestesiologia de Pernambuco (Saepe), Airton Ayres, o uso do óxido nitroso deve ser feito exclusivamente por anestesistas e para intervenções cirúrgicas. O uso irregular, segundo ele, já havia sido citado num congresso no ano passado, em Minas Gerais. “O óxido nitroso é um excelente anestésico e grande auxiliar nas cirurgias, no entanto, o uso de forma inadequada leva à morte”, sentenciou.

 A aplicação da substância em consultórios odontológicos só é permitida na presença de um anestesista. Segundo Ayres, o gás pode causar náuseas e vômitos. “Além disso, provoca diminuição da pressão arterial. É um anestésico para procedimentos brandos e rápidos.” O médico anestesiologista e instrutor do Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS), Ronaldo Souto, alerta que o óxido nitroso é um gás seguro, mas pode ser fatal. “Se respirado acima de 70% pode matar. Ele tem que ser aplicado no paciente junto com o oxigênio para fins de sedação.  Eesse controle é feito por equipamentos de última geração”, disse.

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Óxido Nitroso
Também é chamado protóxido de nitrogênio ou protóxido de azoto. Apresenta-se na forma de um gás incolor, composto de duas partes de nitrogênio e uma de oxigênio, cuja fórmula química é N2O e sua fórmula estrutural é N—N—O

É conhecido como gás hilariante ou gás do riso, pela capacidade que possui de provocar contrações musculares involuntárias na face das pessoas, dando a impressão de que ela está rindo. O óxido nitroso é sempre usado na forma gasosa e normalmente manuseado na forma líquida em cilindros de alta pressão ou tanques criogênicos, porém, vaporiza facilmente a baixas pressões

Aplicações
 Sendo um agente inalatório, o óxido nitroso tem sua maior aplicação na área médica. Administrado juntamente com o oxigênio, possui efeito analgésico e sedativo. Em anestesia geral, a adição de óxido nitroso ao oxigênio permite uma redução da quantidade do agente anestésico mais caro, obtendo-se o mesmo efeito. Para fins industriais é utilizado principalmente na fabricação de chantilly e em automóveis

Como age no organismo
 O gás age numa área do cérebro relacionada aos sentimentos, ele produz uma suave depressão que resulta num sentimento de euforia. Ao absorvê-lo por inalação, a pessoa fica relaxada, excitada e notadamente mais feliz, daí o nome gás do riso… Aparentemente a pessoa fica num estado idêntico ao que a bebida alcoólica proporciona.

Uso automobilístico
 O óxido nitroso pode ser utilizado em motores de combustão interna com o objetivo de se obter um aumento de potência. É popularmente conhecido no meio automobilístico como nitro. Da mesma forma que turboalimentação, a injeção de óxido nitroso nas câmaras de combustão tem como objetivo elevar a massa de oxigênio injetada. Isto permite queimar maior quantidade de combustível numa mesma câmara de combustão. O que, em seguida, eleva a potência dos motores

Fontes: Sociedade de Anestesiologia de Pernambuco e Wikipédia

 Maconha
É a droga mais comum entre os jovens, ricos ou pobres. Os médicos dizem que um baseado pode representar o primeiro passo para dependência toxicológica
Considerada uma das drogas mais comuns entre os jovens, a maconha nunca sai de evidência. Com uso menos polêmico na Antiguidade, a marijuana (como também é conhecida) era utilizada no tratamento de distúrbios digestivos, insônia e depressão. Entretanto, o que antes era remédio virou contravenção e, hoje, quem usa a droga corre o sério risco de prejudicar a saúde.
  De acordo com a diretora do Centro Eulâmpio Cordeiro de Recuperação Humana, Suely de Barros Correia Matos, o uso da maconha não chega a causar dependência, mas seus efeitos tóxicos são claramente sentidos, especialmente pelos indivíduos que fazem uso freqüente da droga. “É comum o usuário sentir taquicardia, sonolência e relaxamento após fumar a maconha. Ele perde a dimensão do tempo e do espaço e fica com a percepção lenta”, descreve.
Concentração - Segundo a médica, as pessoas que fumam a erva ficam impedidas, imediatamente após o uso, de exercer plenamente qualquer tipo de atividade que exija concentração e atenção, como guiar um automóvel ou operar uma máquina. “Os reflexos são reduzidos e perde-se a visão lateral”, completa. 
 Com o tempo, especialmente se o usuário for criança ou adolescente, ele tem a memória e a capacidade de aprendizado bastante reduzidas. “É comum, ainda, o adolescente perder o interesse por atividades relativas à sua idade, como jogar bola com os amigos”, destaca. Paralelo a isso, também ocorre a diminuição da resistência cardiorespiratória. A médica admite que as pessoas que chegam a usar a droga três a quatro vezes ao dia podem sofrer alucinações.
A Erva
 A cannabis sativa tem mais de 400 princípios tóxicos. O mais perigoso deles é o THC (tetrahidrocanabinol), uma das substâncias que acaba ficando armazenada no organismo. Esse acúmulo afeta a capacidade de aprendizagem, raciocínio e até a produção de espermatozóides. “A maconha destrói o organismo silenciosamente, justamente porque não se acredita que ela faça mal”, afirma o toxicologista Otávio Brasil. 
A Mistura - Dependendo da qualidade da maconha, ela pode se tornar ainda mais perigosa. Para adquirir a consistência de pedra (erva prensada), os traficantes misturam à folha uma pasta de merla (subproduto da cocaína dissolvido em gasolina, querosene ou ácido de bateria). A combinação pode ser fatal, pois o usuário pode ser vítima do rompimento de um aneurisma ou passar a sofrer de leucemia - uma vez que os solventes bloqueiam o funcionamento da medula óssea. 
  No Eulâmpio Cordeiro, instituição vinculada à Secretaria de Saúde do Estado, são realizados 350 atendimentos de dependentes de drogas por mês. O tratamento dos pacientes mais comprometidos é realizado através do Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Lá, eles passam quatro horas por dia realizando atividades grupo-operativas durante um período de dois meses. Após o tratamento intensivo, os pacientes passam a frequentar o ambulatório, realizando duas atividades por semana. 
Serviço: Centro Eulâmpio Cordeiro - 3228.3200

Como a Droga age no organismo?
1. A maconha, quando queimada, libera uma série de substâncias tóxicas. Quando o usuário inala a fumaça do baseado, essa substância vai para o pulmão e cai na corrente sanguínea, indo para o fígado.
2. O fígado, na tentativa de diminuir os efeitos nocivos da droga, transforma as substâncias tóxicas em metabólitos (produtos da biotransformação da droga).
3.  Essa nova substância é atraída por tecidos gordurosos, como o cérebro. Pode causar 
perda de memória. 
4. Parte dela também vai para os órgãos sexuais (uns dos mais gordurosos do nosso corpo), onde fica acumulada e pode provocar a esterilidade.
EFEITOS IMEDIATOS DA DROGA
O efeito mais imediato da ingestão da maconha é o rápido aumento dos batimentos do coração, que pode chegar a 160 batidas por minuto Comprometimento da coordenação motora. Normalmente perde-se também o equilíbrio Os olhos do usuário ficam vermelhos e as pupilas dilatadas Aumento do apetite (larica) com secura da boca e garganta
A pessoa experimenta uma inusitada sensação de bem estar e felicidade, seguido de relaxamento e sonolência A noção de tempo e espaço é distorcida. Muitas vezes o usuário tem a impressão de que um minuto dura uma hora. Alteração da memória recente e falha nas funções intelectuais e cognitivas. Em contrapartida, ocorre um aumento do fluxo das idéias. As emoções são sentidas com maior intensidade. Os efeitos variam muito de usuário para usuário.
Efeitos a longo prazo
Maior risco de desenvolver câncer de pulmão. A maconha possui um alto teor de alcatrão, superior até mesmo à quantidade contida no cigarro comum;
Diminuição das defesas do organismo, facilitando o surgimento de infecções como dores de garganta e tosse crônica Aumento dos riscos de sofrer isquemia (diminuição do fluxo sanguíneo) no coração Diminuição da quantidade do número de espermatozoides, o que pode levar o homem à infertilidade. Prejuízos de memória que podem se agravar com o tempo
Para saber mais
De onde vem a maconha?
A maconha é um conjunto de flores e folhas secas da planta do cânhamo (cannabis sativa). Sua substância ativa é o THC (tetrahidrocanabinol). 

É preciso fazer tratamento para largar o hábito de fumar maconha?
Quando a pessoa faz uso constante e prolongado da droga, sim. No período de desintoxicação o ex-usuário pode sofrer de: mal estar, irritabilidade, dores musculares, ansiedade, perda de apetite, insônia, depressão, náusea e queda de pressão. Os sintomas, no entanto, se apresentam de uma maneira muito menos intensa do que nas crises de ex-usuários de drogas mais pesadas como a cocaína, crack e heroína. 

Ainda se pode usar maconha para fins terapêuticos?
A única utilização aprovada com esse fim é o uso do Delta 9 THC sintético (substância ativa da maconha) no tratamento anti-vômito dado aos pacientes portadores de câncer, submetidos à quimioterapia. 
A substância é comercializada nos Estados Unidos com o nome 
de Marinol.



O barato da erva sai caro: Maconha

Edição de domingo, 19 de dezembro de 2010

Pesquisa da Unifesp comprova que o consumo da maconha leva a problemas cognitivos graves, como o comprometimento da memória e da fluência verbal.
Muitos são os apelos para o consumo. Euforia, menos inibição, relaxamento e até criatividade. Aliado a tudo isso, o mito de que a maconha não provoca danos mentais importantes leva a droga ao topo do consumo de substâncias ilícitas no país. Levantamentos oficiais apontam que quase 2% da população brasileira fumou maconha no último mês. Entre os universitários, a proporção é de aproximadamente 10%. A crença comum entre praticamente todos os usuários, porém, foi quebrada. Estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta evidências científicas de que a chamada erva natural` provoca deficiências cerebrais relevantes, prejudicando a memória, o autocontrole, a capacidade de planejamento, de organização e a fluência verbal.
Para chegar a tais conclusões, a pesquisa, apresentada como tese de doutorado pelo Laboratório de Neurociências Clínicas da Unifesp, utilizou uma amostra de 173 usuários crônicos de maconha, que fumam de um a dois cigarros de maconha por dia, há pelo menos 10 anos. O contigente pesquisado, segundo Maria Alice Fontes, neuropsicóloga e autora do estudo, é o maior do mundo nessas condições. ´Conseguimos trabalhar uma amostra de pessoas que utilizam exclusivamente a maconha, o que é muito difícil. Geralmente, os grupos têm problemas relacionados ao uso de outras drogas e a doenças mentais associadas, como depressão, por exemplo`, destaca Maria Alice.

A amostra de 173 pessoas passou por testes neuropsicológicos que medem as funções ´executivas` do cérebro - relacionadas ao maestro do cérebro, responsável pela capacidade de processar e organizar informações. Comparando os resultados com o grupo controle, formado por pesquisados com perfil parecido em termos de idade e escolaridade, ficou evidente o deficit dos usuários de maconha. No quesito memória, por exemplo, um dos testes deixa claro o abismo entre as duas populações estudadas. Ditou-se uma lista de 12 palavras para serem repetidas. O entrevistador repete apenas as que não foram lembradas. Enquanto o grupo de controle precisou, em média,de 34 repetições, os usuários necessitaram de 50.

Para ter uma boa memória, você precisa ter um bom armazenamento. Ou seja, guardar a informação para depois recuperar. Verificamos que nos usuários de maconha a dificuldade começa já no início do processo, no armazenamento`, explica a neuropsicóloga Maria Alice. Um outro teste em que o grupo que utiliza a droga foi mal avaliado é o que mede a persistência em erros e a falta de capacidade de percebê-los. Determinadas combinações de cartas eram mantidas em sigilo, enquanto os entrevistados tentavam descobri-las, manuseando o baralho. O entrevistador limitava-se a dizer ´certo` ou ´errado`. As pessoas do grupo de controle acertaram quatro combinações, contra 2,5 descobertas pelos usuários de maconha.

Em outra bateria de testes, que avaliam funções como organização, planejamento e autocontrole, os participantes poderiam acumular 18 pontos, no máximo. A média dos que não usam maconha foi de 17,5 e dos que utilizam a droga, 16. ´Olhando assim, pode não parecer uma diferença tão expressiva. Mas se você avaliar que são 173 pessoas e que estamos falando da média, é algo grave. Até porque houve gente que tirou 14, 15. E ter pontuação abaixo de 17 já é considerado problemático`, afirma a especialista. Ela destaca que houve relação entre a quantidade consumida, a idade de início do uso e os prejuízos cerebrais. ´Quanto maior o consumo, piores os deficits. Principalmente se o usuário começou a fumar antes dos 15`, diz a especialista da Unifesp.



Banalização
Presidente da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (Abead), o psiquiatra Carlos Salgado enfatiza um ´empobrecimento geral cognitivo como o principal impacto da maconha. ´Aí alguém sempre lembra que tem um sujeito brilhante, um ministro, um músico, que fuma há décadas. Sim, é verdade. Mas eles poderiam ser ainda mais brilhantes, porque estão atuando abaixo do seu potencial, abaixo do desempenho que poderiam ter, ressalta Salgado. Entre as principais dificuldades dos usuários estão a memória, a qualidade de raciocínio para resolver questões complexas e a capacidade de responder a desafios psicomotores. Jogar tênis ou atuar em um trânsito complicado pode ficar mais complicado, diz.

Características muito próprias da maconha, segundo Salgado, levam a droga a uma espécie de banalização por boa parte da sociedade. ´O impacto é mais sutil e lento que o de outras substâncias. Então, seu juízo de desempenho, de qualidade de vida demora mais a se formar`, diz o psiquiatra. Ele vai a outro extremo para fazer uma comparação. ´Enquanto o crack tem ação intensa, sensação imediata e induz a vontade de repetir a dose rapidamente, a maconha é o contrário. Ela diminui a ansiedade, a menos que haja um quadro de depressão, relaxa e dá fome. Talvez daí venha essa aceitação maior, diz ele. Salgado acredita que, se legalizada a maconha, o consumo será maior. Estará mais disponível.` 


Cocaína e crack
Sensação de poder e euforia. prazer momentâneo que faz o usuário entrar num caminho sem volta: as duas drogas são as que mais causam dependência
Euforia, êxtase, um prazer que muitos acham indescritível é o que normalmente sentem as pessoas que experimentam a cocaína e o crack pela primeira vez.
O problema é que, com o tempo, o usuário precisa sempre de uma dose maior para se satisfazer. A compulsão e o vício são só uma questão de tempo. “A cocaína é um estimulante e o crack é alucinógeno”, adianta a psiquiatra Gilvanete Delgado. Segundo a especialista, a primeira provoca sensação de bem estar, atuando no Sistema Nervoso Central. Já o crack aumenta os batimentos cardíacos, libera adrenalina no cérebro, atua no sistema nervoso, causando danos irreversíveis.
Na realidade, o crack e a cocaína são a mesma droga. Só que o primeiro, acrescido de bicarbonato de sódio e transformado em pedra, tem cerca de seis vezes mais potência que a segunda. Os efeitos, ainda que em um caso sejam mais intensos que no outro, também são semelhantes. Ao serem consumidos, crack ou cocaína atuam diretamente no cérebro.
A droga impede que, no sistema nervoso central, os neurônios recapturem o excesso de neurotransmissores (responsáveis pela transmissão de mensagens de uma célula para outra). Por conta dessa quantidade extra, há um aumento do estímulo motor. O usuário tem a sensação de estar mais forte, mais ativo. A isso, soma-se grande euforia. “A alteração dos genes é uma das conseqüências que o dependente desses tipos de drogas pode sofrer. Seus filhos poderão nascer com algum tipo de deficiência”, diz Gilvanete Delgado.

Danos - O coração também sofre com o uso da cocaína e do crack. O risco de infarto do miocárdio aumenta sensivelmente. Um usuário tem 24 vezes mais chances de ter o ataque cardíaco na primeira hora depois do uso da cocaína se comparado a população em geral. Entre usuários da cocaína em pó, aspirada pelo nariz, o uso constante e por anos pode causar deformação do septo nasal. “Quem usa droga injetável também pode ter infecção do lado direito do coração, a chamada endocardite”, avisa o cardiologista Sérgio Montenegro.
  A cocaína é extraída da folha de coca, vendida na forma de um pó branco. O crack é o derivado mais perigoso da cocaína. Para obtê-lo, adiciona-se à cocaína água e bicarbonato de sódio. A mistura é aquecida, transformando-se em pedras, que são fumadas.

O QUE SÃO
cocaína
A cocaína é uma droga extraída da folha da planta de coca, vendida na forma de um pó branco.
O crack é o derivado mais perigoso da cocaína. Para obtê-lo, adiciona-se à cocaína água e bicarbonato de sódio. A mistura é aquecida, transformando-se em pedras, que são fumadas
COMO SÃO USADOS
Cocaína aspirada 
Passa primeiro por filtros do aparelho respiratório, o que faz com que menos quantidade chegue ao cérebro
Cocaína injetada
O baque na corrente sangüínea passa pelo fígado, coração e pulmão antes de atingir o cérebro.

Crack
Passa direto dos pulmões para o cérebro, num intervalo de cinco a dez segundos depois de fumado
AS POSSÍVEIS CONSEQÜÊNCIAS DO USO
Acidente vascular cerebral (AVC)
Alguns estudos identificam relação entre intoxicação aguda por cocaína e crack e acidentes vasculares cerebrais, os derrames. A via intranasal parece ser responsável por 80% dos casos de derrame (com hemorragia) ligados ao uso da droga
Hipoglicemia
Todo consumidor de cocaína e crack apresenta hipertermia. O aumento da temperatura corpórea inibe a glicogênese (não permite a formação de carboidrato), causando hipoglicemia (falta de açúcar no sangue). Uma pessoa hipoglicêmica pode ter convulsões sérias
Infarto agudo do miocárdio
Cocaína e crack provocam o aumento da pressão do sangue nos vasos, sobrecarregando o coração. Além disso, as drogas favorecem o aparecimento de coágulos, que podem impedir a passagem de sangue no coração e causar o infarto agudo do miocárdio
Danos pulmonares
De tão perigoso, o crack pode provocar estragos logo no primeiro mês de uso. O fumo causa uma reação inflamatória em todo o pulmão, diminuindo a capacidade respiratória da pessoa, que apresenta tosse intensa e expectoração de mucos negros
Convulsão e insuficiência renal aguda
Dez por cento dos pacientes intoxicados por cocaína atendidos nas salas de emergência apresentam convulsões. O percentual aumenta entre usuários de crack. Pelo menos 1/3 dos consumidores de ambas as drogas desenvolve insuficiência renal aguda

Ele é mais barato e agressivo do que o crack. E a ciência ainda tenta entender seus efeitos no organismo

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/oxi-e-mais-prejudicial-que-o-crack
Natalia Cuminale

Pedras Oxi na Polícia Federal de Rio Branco, Acre. (Regiclay Alves Saady)
Desde a década de 1980, distante dos grandes centros brasileiros, o estado do Acre convive com a destruição produzida pelo oxi, uma mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem mais devastadora do que o temível crack. A droga, vendida no formato de pedra, ao valor médio de 2 reais a unidade, vem se popularizando na região Norte e, agora, espalha sua chaga pelas cidades do Centro-Oeste e Sudeste. "Ela já chegou ao Piauí, à 
Paraíba, ao Maranhão, a Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro", diz Álvaro Mendes, vice-presidente da Associação Brasileira de Redução de Danos. Uma amostra da penetração da droga em São Paulo pôde ser vista na última quinta-feira, quando a Polícia deteve, na capital, um casal que carregava uma pedra de meio quilo de oxi.
Ao menos duas característias da droga ajudam a explicar por que ela se espalha pelo país. A primeira é seu potencial alucinógeno. Assim como o crack, o oxi pode estimular em um usuário o dobro da euforia provocada pela cocaína. A segunda razão é seu preço. "O crack não é uma droga cara, mas o oxi é ainda mais barato", diz Philip Ribeiro, especialista em dependência química do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). "Quando surge uma droga mais poderosa, mais barata e fácil de produzir, a tendência é que ela se dissemine", diz Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Univesidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Isso ocorre especialmente porque não se criou no Brasil até agora um sistema eficaz de tratamento de dependentes."
O lado mais assustador do oxi talvez seja a carência de dados sobre seu alcance no território brasileiro. Quem se debruça sobre o assunto, avalia que a droga atinge todas as classes sociais. "Não há um perfil estabelecido de usuário: ela é usado tanto pelos estratos mais pobres quanto pelos mais ricos da população", diz Ana Cecília Marques, psiquiatra da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (Abead).
Também faltam estudos científicos sobre sua ação sobre o ser humano. Por ora, sabe-se que, por causa da composição mais "suja", formada por elementos químicos agressivos, ela afeta o organismo mais rapidamente. A única pesquisa conhecida sobre a droga – conduzida por Álvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redução de Danos, em parceria com o Ministério da Saúde – acompanhou cem pacientes que fumavam oxi. E chegou a uma terrível constatação: a droga matou um terço dos usuários no prazo de um ano.
Além, é claro, do risco de óbito no longo prazo, seu uso contínuo provoca reações intensas. São comuns vômito e diarreia, aparecimento de lesões precoces no sistema nervoso central e degeneração das funções hepáticas. "Solventes na composição da droga podem aumentar seu potencial cancerígeno", explica Ivan Mario Braun, psiquiatra e autor do livro Drogas: Perguntas e Respostas.
Por último, mas não menos importante, uma particularidade do oxi assusta os profissionais de saúde: a "fórmula" da droga varia de acordo com "receitas caseiras" de usuários. É possível, por exemplo, encontrar a presença de ingredientes como cimento, acetona, ácido sulfúrico, amônia e soda cáustica - muitos dos itens podem ser facilmente encontrados em lojas de material de construção. A variedade amplia os riscos à saúde e dificulta o tratamento.